A doença reumática provoca aos alunos dor, inflamação e rigidez articular.
Estas manifestações dos alunos com doenças reumáticas limitam a mobilidade, provocando incapacidade funcional e condicionando, assim, a aprendizagem na aula de Educação Física. As características e necessidades próprias destes alunos obrigam a que os mesmos devam ser incorporados numa escola democrática e inclusiva e onde o professor assuma essa diferença, adaptando e flexibilizando as estratégias e os objectivos a atingir, dando significado à individualização do ensino e à pedagogia diferenciada no sentido de proporcionar o sucesso educativo, traduzido na igualdade de oportunidades no que respeita à avaliação, sem que as respectivas adaptações se traduzam em menores ou melhores classificações. Não se deve, no entanto, pôr em causa a aquisição das competências terminais de ciclo (Básico e Secundário).
A avaliação inicial (diagnóstica, prognóstica e preditiva) e especialmente a comunicação entre os intervenientes – aluno, família, médico e professor - surge como factor fundamental no sentido de referenciar o mais precocemente possível os casos, conhecer o tratamento adaptado a cada caso, detectando os factores de risco associados, as limitações ou incapacidades descritas no relatório e no atestado médico. Serve ainda para o professor saber como agir em caso de crise de dor e intervir como apoio emocional ao aluno e à própria família, gerindo as limitações e as ausências frequentes e certificando-se que este terá um desenvolvimento escolar e social tão normal quanto possível.
Só assim se pode optimizar as estratégias de tratamento e a definição dos objectivos do aluno por área, definindo as bases da diferenciação do ensino.
Reconhece-se que existem factores que condicionam a leccionação em alunos com doenças reumáticas, tais como o clima e o horário e rotação dos espaços.
Se o aluno apresentar dores, estas articulações devem ser mantidas em descanso. No entanto, a exigência deve ser adaptada no sentido de manter o aluno ao nível dos outros, não expondo desnecessariamente as limitações físicas do mesmo perante a turma e equilibrando as necessidades especiais da criança com as exigências de ser tratada tão normal quanto possível.
Todavia, em nenhum momento se pode descurar a importância da atitude de empenho, perseverança, esforço, responsabilidade e auto-disciplina do aluno perante a disciplina.
É meu entender que, na maioria dos casos, os professores necessitam de um maior conhecimento e formação no sentido de compreender a doença e saber as suas limitações. No entanto, acredito que a Educação Física, através da prática dos exercícios, acarreta benefícios e actua de forma preventiva, destacando-se o papel fundamental da escola, dos professores e da Educação Física pelo seu carácter específico no desenvolvimento escolar, social, motor, emotivo e no desenvolvimento da auto-estima do aluno.
José Fernandes – Professor de Educação Física
(Resumo da palestra efectuada no XIII Fórum de Apoio ao Doente Reumático)
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